Enke sem mais amor para dar
Robert Enke morreu aos 32 anos. O antigo guarda-redes do Benfica atirou-se para uma linha de comboio em Neustadt am Rübenberge, Hannover. “Posso confirmar que foi suicídio”, disse Robert Neblung, amigo e empresário do jogador. Enke esteve na Luz de 1999 até 2002, recuperava ainda de uma infecção bacteriana desconhecida que o afastou dos relvados nos últimos dois meses, tendo regressado ao activo no jogo deste domingo entre o Hannover e o Hamburgo. Enke e a sua mulher, Teresa, ainda estavam de luto pela morte da filha Lara, em Setembro de 2006, após complicações cardíacas decorrentes de uma operação aos ouvidos. Apesar de não ter sido chamado para os jogos particulares da Alemanha com o Chile e a Costa do Marfim, o seleccionador alemão, Joachim Löw, tinha deixado claro que contava com ele para número um da baliza da Mannschaft no Mundial’2010, na África do Sul.
Enke, oito vezes internacional pelo seu país, nasceu a 24 de Setembro de 1977, em Jena, na então República Democrática da Alemanha, e ao longo da sua carreira representou o Carl Zeiss Jena, o Borussia de Mönchengladbach, Benfica, Barcelona, Fenerbahçe, Tenerife e Hannover 96, onde estava desde 2004.
A mulher e o médico assistente de Robert Enke já revelaram, numa conferência de imprensa em Hannover, que o ex-jogador do Benfica sofria de “graves depressões” e se recusava ultimamente a cumprir os tratamentos, o que fez inclusivamente anteontem, dia em que decidiu suicidar-se, deixando o carro em cima dos carris e saindo a pé para encontrar a morte com o comboio. Na carta de despedida, Enke apresenta desculpas aos familiares e aos médicos que o assistiram por lhes ter ocultado deliberadamente a sua desesperada situação e a vontade de se matar.
Após a morte de Lara, apenas com dois anos de idade, devido a uma mal-formação cardíaca, Enke tinha também medo de ser internado e de perder a filha adotiva, Leila, de seis meses de idade. “Pensámos que conseguiríamos com amor, mas às vezes o amor não basta”, disse a viúva de Robert Enke, cuja morte abalou o mundo do futebol e a Alemanha em geral.
É o fim trágico de um grande guarda-redes e, acima de tudo, um homem muito sensível. Robert Enke lia muito e ia ao teatro, fugindo ao estereótipo de um jogador de futebol. No Hannover, todos os adeptos choram a sua morte e registam o facto de ele estar sempre disposto a apoiar acções de caridade. Ele era também um acérrimo defensor dos direitos dos animais, ao ponto de terem ficado célebres as recorrentes histórias aquando da sua estadia em Lisboa. Sempre que via um cão vadio, ele parava o carro e levava-o para casa… Era assim o alemão que aprendeu a falar português correcto em apenas dois meses!
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RIP Enke…